Ajustes
Um condomínio, muitos problemas a serem resolvidos
Moradores do Residencial Haragano recebem apoio de projetos da prefeitura, do Senac e do Poder Judiciário para tentar resolver conflitos enfrentados no dia a dia
Jô Folha -
Era para ser a realização de um sonho para as famílias que aguardavam por uma casa própria. Porém, desde que foi inaugurado, em junho de 2014, o Residencial Haragano tem acumulado dores de cabeça para a maioria dos moradores do local. Invasões, problemas estruturais, insegurança e, para completar, desentendimentos entre vizinhos estão entre os problemas enfrentados cotidianamente por quem vive no condomínio na Zona Norte.
No sábado(10) à tarde, em uma tentativa de minimizar estas dificuldades e promover um pouco mais de tranquilidade no local, foi realizado o primeiro encontro do projeto Bons Vizinhos. A iniciativa, promovida pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Pelotas em conjunto com a prefeitura de Pelotas e o Senac, reuniu moradores com o objetivo de apresentar a proposta às famílias e ouvir as demandas.
Diretor do Foro e coordenador do projeto, o juiz Marcelo Malizia Cabral destacou a importância do diálogo entre os vizinhos e da organização coletiva para evitar conflitos. “Tenho certeza de que é possível encontrarmos soluções para superar os problemas de uma forma que cada morador do Haragano possa dizer que tem orgulho do lugar que vive”, ressaltou. Para isso, a ideia é que haja um acompanhamento permanente de facilitadores de justiça do Cejusc e de profissionais do Senac, que farão reuniões semanais no residencial.
Síndica do residencial, Daura Regina de Medeiros, 57, sabe muito bem o quanto o projeto Bons Vizinhos pode ser importante às 280 famílias. Responsável por ouvir diariamente queixas de todos os tipos, torce para que através de conversas haja maior compreensão e respeito entre todos. “Há muita briga entre vizinhos aqui, o tempo todo. Reclamações de todos os tipos. É preciso existir uma reeducação, conscientização da necessidade de cuidar do condomínio e do convívio. Sem isso fica difícil conseguirmos organização e melhorias até para outras dificuldades enfrentadas aqui, como a falta de segurança e os graves problemas de infraestrutura”, diz.
Mais do que tentar resolver brigas entre vizinhos, os encontros no Haragano terão também a missão de encaminhar soluções para questões tão complexas quanto invasões, violência e tráfico de drogas. A partir de um diagnóstico do perfil das famílias feito pelo Senac, serão iniciadas 18 atividades voltadas a geração de renda, sustentabilidade, mobilização de novas lideranças locais e cuidados com a estrutura do residencial. Conforme a orientadora educacional Glaci Andreolli, o trabalho será conjunto com a prefeitura e visa mostrar também pontos positivos do condomínio e encontrar uma saída para os casos de moradores que não fazem parte da lista de contemplados com as moradias.
Problemas de infraestrutura persistem
Embora o foco da reunião do final de semana tenha sido os desentendimentos entre vizinhos, durante todo o tempo em que a reportagem esteve no Haragano e conversou com os moradores a reclamação foi uma só: o péssimo estado do residencial. Tanto pontos de uso coletivo, como calçadas e salões de festas, quanto as próprias residências apresentam problemas graves.
Moradora de uma das dez unidades térreas com acessibilidade a deficientes físicos, a dona de casa Élida Fabres, 42, não sabe mais a quem recorrer. Pouco tempo depois de se mudar, começaram a aparecer os problemas. Na sala o chão cedeu e parte do piso cerâmico se soltou, deixando apenas o cimento. Mas no banheiro a situação é ainda pior. “As paredes do banheiro estão se abrindo, o revestimento caiu e junto com ele a cadeira de banho adaptada ao meu filho cadeirante”, protesta, ao mostrar o buraco que deixa o encanamento à mostra.
A síndica afirma que transtornos do tipo se repetem em quase todas as habitações. Segundo ela, reclamações já foram encaminhadas à construtora e à prefeitura, mas até agora ninguém se responsabilizou por corrigir as falhas. Daura pretende ainda ver resolvidos os defeitos nas fiações elétrica e de telefonia, que estão expostas nas caixas centrais no pátio do Haragano. “Temos nossas dificuldades de relacionamentos e conflitos internos. Mas queremos que sejam resolvidos também os resultados do descaso com a estrutura do condomínio”, completa.
Outros residenciais no foco
Não será apenas o Haragano a contar com o esforço do projeto Bons Vizinhos para minimizar conflitos. Outros cinco empreendimentos de habitação popular receberão palestras, oficinas e visitas de conciliadores: Loteamento Eldorado, Jardins do Obelisco, Montevideo, Buenos Aires e Fragata. Desde agosto, quando o esforço coletivo de Cejusc e prefeitura foi lançado, síndicos e subsíndicos passaram a discutir dificuldades enfrentadas pelos condomínios. A intenção é de, além de traçar estratégias para acabar com os problemas particulares de convivência, encaminhar respostas a questões comuns das seis comunidades.
O Haragano
►280 moradias com 45m²
►270 sobrados e 10 casas térreas
►Playground, dois salões e churrasqueiras
►Voltado a famílias com renda até três salários mínimos
►Entregue em junho de 2014 através do Minha Casa, Minha Vida
►Custo: R$ 14,8 milhões
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